10 Dicas para Lidar com Pré-Adolescentes






Entre os 9 e os 12 anos, muitas famílias vivem uma virada surpreendente: aquela criança que adorava contar tudo, que queria estar sempre perto, que subia no colo sem aviso — de repente parece não precisar mais de você. A pré-adolescência é uma fase de transformações profundas: físicas, cognitivas, emocionais e sociais. Seu filho está se tornando outra pessoa — e isso é exatamente o que deveria estar acontecendo.

O que ele talvez não saiba é que ainda precisa de você — muito. Uma relação forte nessa fase cria a base para uma adolescência menos turbulenta. Mas isso exige uma adaptação da sua parte: respeitar a nova necessidade de autonomia do seu filho é condição para construir um vínculo real com essa versão atualizada dele.

💡 Especialistas em desenvolvimento adolescente reuniram orientações práticas para ajudar pais a manter os canais de comunicação abertos durante essa transição — e chegar aos anos de adolescência com mais confiança dos dois lados.

1. Não leve o distanciamento para o lado pessoal

É natural e esperado que crianças nessa faixa etária comecem a se afastar dos pais e a priorizar os amigos. Ainda assim, muitos pais interpretam isso como rejeição — ou como comportamento opositor. Essa leitura equivocada tende a piorar a situação.

💬 “Essa é uma fase em que as crianças começam a ter segredos. Pais que têm baixa tolerância para essa transição — que querem saber tudo — podem afastar seus filhos por serem excessivamente curiosos.” — Dra. Catherine Steiner-Adair, psicóloga, Harvard

Tentar forçar informações de um pré-adolescente resistente tende a fechar ainda mais a comunicação. O distanciamento não é pessoal — é desenvolvimento.

2. Reserve um tempo especial, a sós, com seu filho

A Dra. Laura Kirmayer, psicóloga clínica, recomenda criar um momento semanal de atenção exclusiva — uma ou duas vezes por semana — em que você está totalmente presente: sem celular, sem multitarefa, sem agenda. Só você e seu filho.

Esse tempo não apenas fortalece o vínculo — ele também ensina habilidades interpessoais que vão ser essenciais no futuro. E não espere que seu filho peça: muitas vezes ele vai dizer que não quer, mas vai precisar.

💬 “Esse tempo de qualidade é fundamental — e é algo que podemos negligenciar justamente porque nossos filhos dizem que não querem, e nós acabamos cedendo a essa tendência sem perceber.” — Dra. Laura Kirmayer

3. Use a abordagem indireta

Perguntas diretas — “Como foi a escola?”, “Tirou boa nota?” — que funcionavam antes, agora soam como interrogatório. O pré-adolescente sente as perguntas como invasivas e fecha. A estratégia oposta funciona melhor: posicione-se como ouvinte, não como investigador.

💬 “Se você simplesmente se sentar, sem perguntas, e apenas ouvir, é mais provável que obtenha as informações sobre a vida do seu filho que tanto quer. Isso passa a mensagem de que este é um lugar onde ele pode vir e falar — e que tem permissão para dizer o que está pensando ou sentindo.” — Dra. Laura Kirmayer

Às vezes você vai poder ajudar e dar conselhos. Outras vezes, vai estar lá apenas para validar o quanto é difícil o que ele está atravessando. As duas coisas têm valor.

4. Cuide do quanto você julga — em voz alta

Pré-adolescentes prestam atenção minuciosa na forma como seus pais falam sobre outras pessoas — especialmente outras crianças. Como você reage quando outro jovem faz algo errado? O que você diz sobre o colega que se vestiu de determinada forma, ou sobre o adolescente que postou aquela foto?

Seu filho está decidindo, com base nessas observações, se você é um adulto a quem ele pode contar o que acontece com ele. Julgamentos rígidos e excessivos fazem ele concluir que a resposta é não.

⚠️ Você pode — e deve — comentar sobre comportamentos que merecem atenção. O problema não é o comentário em si, mas a intensidade e a rigidez do julgamento. Se seu filho sente que qualquer erro vai ser devastado por você, ele vai preferir não te contar nada.

5. Assista junto o que ele assiste

A partir do ensino fundamental II, assistir séries, vídeos e conteúdos que seu filho gosta — e conseguir rir junto, comentar, discutir — é uma forma poderosa de conexão. Esses momentos abrem espaço para conversar sobre temas que seriam difíceis de abordar diretamente: relacionamentos, gênero, valores, limites.

Não critique os valores com intensidade excessiva. Use humor. O objetivo não é dar uma aula — é estar presente e criar um repertório compartilhado com seu filho.

6. Não evite falar sobre sexo e drogas

Crianças começam a ter contato com álcool e outras substâncias cada vez mais cedo. E o desenvolvimento sexual é parte central dessa fase — é também quando surgem os primeiros casos de transtornos alimentares.

A Dra. Kirmayer recomenda fornecer informações de forma gradual e sem pressão — sem transformar em “A Grande Conversa”. Livros sobre o corpo e o desenvolvimento colocados na prateleira do quarto, disponíveis para consulta livre, funcionam bem: a criança lê no próprio ritmo e vem com perguntas quando está pronta.

💡 Seu filho vai ser exposto a essas informações pelo grupo de pares de qualquer forma. A questão é se as informações que ele recebe vão ser precisas — e se ele vai ter um adulto de confiança para conversar sobre elas.

7. Não amplifique o drama

Quando seu filho vem até você com um problema — não foi convidado para uma festa, viu no Instagram que os colegas saíram sem ele — sua reação importa muito. Pais que reagem de forma exagerada (“Que absurdo! Vou ligar para a mãe dela agora!”) jogam mais lenha na fogueira de uma emoção já hiperativa.

O pré-adolescente precisa de um adulto que ajude a regular, não a amplificar. Escute com calma. Valide o sentimento. Resista ao impulso de agir imediatamente.

8. Mas também não finja que nada acontece

O extremo oposto também é prejudicial: o pai ou a mãe que ignora tudo e normaliza comportamentos que merecem atenção. Quando uma criança vê irmãos mais velhos fazendo coisas erradas sem nenhuma consequência, ela aprende que os pais não prestam atenção — e conclui que não vale a pena recorrer a eles.

Estar presente e atento — sem ser intrometido — é o equilíbrio que os especialistas buscam. Seu filho precisa saber que você está de olho, mas que também confia nele.

9. Incentive esportes — especialmente para meninas

Pesquisas mostram que a autoestima das meninas atinge seu pico por volta dos 9 anos — e tende a cair a partir daí. Meninas que praticam esportes coletivos apresentam maior autoestima, melhor desempenho escolar e menos problemas com imagem corporal.

O esporte em equipe ensina algo que as redes sociais não ensinam: que o valor pessoal vem do que se faz e de quem se é — não de likes, seguidores ou aprovação masculina.

10. Cultive o lado emocional dos meninos

Para os meninos, essa fase traz uma pressão cultural cruel: demonstrar sentimentos — amor, tristeza, vulnerabilidade — começa a ser visto como “coisa de menina”. Pais que não contrapõem essa mensagem deixam seus filhos isolados emocionalmente em um momento em que precisam exatamente do contrário.

💬 “No mínimo, os pais deveriam fazer todo o possível para encorajar os meninos a ser sensíveis e vulneráveis em casa — ao mesmo tempo reconhecendo que essas características talvez não sejam bem recebidas na escola. Você pode dizer a ele que, aos 15 ou 16 anos, quando quiser ter uma namorada, isso vai servir muito bem.” — Dra. Catherine Steiner-Adair

Vale o esforço

Encontrar o equilíbrio certo com um pré-adolescente não é fácil — e vai exigir tentativa e erro. Mas manter os canais de comunicação abertos nessa fase cria algo precioso: um lugar seguro para o qual seu filho pode voltar, não importa o que aconteça no mundo novo que ele está explorando. E isso é o que prepara o terreno para uma adolescência com mais confiança — dos dois lados.

Fonte: Adaptado de 10 Tips for Parenting Preteens, de Juliann Garey, Child Mind Institute (childmind.org). Última revisão do original: agosto de 2025. Adaptação: adolesc.com.br, maio de 2026.

Dr. Marcelo Meirelles

CRM MG 45.283

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Formação

Médico Pediatra

⭐ Título de Especialista em Pediatria · SBP e AMB

⭐ Instrutor de Reanimação Neonatal · SBP

👨‍⚕️

Especialidade

Médico Hebiatra

⭐ Título de Especialista em Medicina do Adolescente · SBP e AMB

⭐ Pós-graduação em Psiquiatria na Infância e Adolescência




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