Concussão em Adolescentes – O Que É, Sintomas e Como se Recuperar






Uma concussão é uma lesão cerebral causada por um golpe, chacoalhão ou impacto na cabeça — ou por um movimento brusco que faz o cérebro se mover dentro do crânio. Não precisa haver perda de consciência para ser concussão. Não aparece em tomografia ou ressonância magnética. E, justamente por isso, é frequentemente minimizada por atletas, treinadores e até pelos próprios pais. Esse é o erro mais perigoso que se pode cometer.

⚠️ Concussão é lesão cerebral. Pode não sangrar, não aparecer em exames de imagem e não causar desmaio — mas é uma lesão real, com consequências reais se não for tratada adequadamente.

Quem está em maior risco

A maioria das concussões em adolescentes acontece durante a prática esportiva. Os esportes com maior risco incluem futebol americano, hóquei no gelo, lacrosse, futebol de campo, hóquei em campo e cheerleading. Mas concussões também acontecem em acidentes de carro ou bicicleta, quedas, brigas ou qualquer situação que envolva impacto na cabeça.

No Brasil, futebol de campo e artes marciais são as modalidades com maior incidência de concussão em adolescentes, seguidas de basquete, voleibol e atletismo. Qualquer esporte de contato — ou com risco de queda — merece atenção.

Sintomas — o que observar

Os sintomas de concussão podem aparecer imediatamente após o impacto ou horas depois. Os mais comuns:

  • Dor de cabeça — o sintoma mais frequente
  • Tontura ou sensação de cabeça rodando
  • Náusea ou vômito
  • Visão borrada ou dupla
  • Sensibilidade à luz e ao som
  • Dificuldade de concentração ou memória
  • Sensação de lentidão, “névoa mental”
  • Alterações de humor — irritabilidade, tristeza, ansiedade fora do comum
  • Distúrbios do sono — dificuldade para dormir ou sonolência excessiva
  • Perda de consciência — ocorre em apenas uma minoria dos casos
⚠️ Sinais de emergência — vá ao pronto-socorro imediatamente: dor de cabeça que piora progressivamente, vômitos repetidos, convulsão, perda de consciência, confusão intensa ou comportamento muito alterado, fraqueza ou dormência em braços ou pernas, visão dupla persistente, dificuldade de falar. Esses sinais podem indicar uma lesão cerebral mais grave.

O diagnóstico

Concussões não aparecem em tomografia computadorizada nem em ressonância magnética. Esses exames podem ser solicitados para descartar lesões mais graves — como hemorragia ou fratura —, mas não confirmam nem excluem a concussão. O diagnóstico é clínico: feito com base nos sintomas relatados, no relato do mecanismo de lesão e em testes de avaliação neurológica e cognitiva realizados pelo médico.

Muitas escolas e clubes esportivos realizam testes de linha de base no início da temporada — avaliações computadorizadas de atenção, memória e velocidade de raciocínio. Se houver concussão, os resultados pós-lesão são comparados com essa linha de base para ajudar a determinar o grau de comprometimento e a recuperação.

Como se recuperar — o que fazer e o que evitar

Descanso físico e cognitivo

Nas primeiras 24 a 48 horas, o tratamento principal é o descanso. Isso significa reduzir tanto a atividade física quanto a mental — estudar, ler, usar telas, jogar videogame, enviar mensagens. Qualquer atividade que exija concentração pode piorar os sintomas porque o cérebro lesionado precisa de energia para se reparar, não para processar informação.

Telas — limite ou evite

Videogames, séries, redes sociais e troca de mensagens tendem a piorar os sintomas de concussão — especialmente dor de cabeça e dificuldade de concentração. Reduza ao máximo o tempo de tela enquanto os sintomas persistirem.

Escola — retorno gradual

Após alguns dias, a maioria dos adolescentes já se sente em condições de voltar à escola — mas pode ser necessário começar com dias mais curtos ou carga reduzida. Converse com seus pais, com o médico e com a escola para criar um plano de retorno. Provas e trabalhos podem precisar ser adiados temporariamente.

Sono regular

Mantenha horários regulares de dormir e acordar. Evite telas e música alta antes de dormir. O sono é o momento em que o cérebro realiza grande parte do processo de reparação — não é opcional durante a recuperação de uma concussão.

Não dirija

Enquanto houver sintomas, não dirija. Tempo de reação e capacidade de atenção ficam comprometidos durante a concussão — mesmo quando você não sente isso claramente.

💡 Com diagnóstico correto e repouso adequado, a maioria das concussões em adolescentes se resolve em uma a duas semanas sem sequelas. O problema começa quando os sintomas são ignorados e o atleta volta antes do tempo.

Retorno ao esporte — sem pressa

Esta é a parte mais crítica — e onde acontecem os erros mais graves. Voltar ao esporte antes da liberação médica é perigoso. O risco real se chama síndrome do segundo impacto: quando o atleta sofre uma segunda concussão antes de se recuperar completamente da primeira, o cérebro ainda fragilizado pode desenvolver edema grave e rapidamente progressivo. Embora rara, a síndrome do segundo impacto pode causar dano cerebral permanente — e é potencialmente fatal.

O médico só liberará o retorno ao esporte quando:

  • Todos os sintomas da concussão tiverem desaparecido completamente
  • Memória e concentração estiverem de volta ao normal
  • O retorno à escola em tempo integral estiver bem tolerado
  • Atividades físicas como corrida, saltos e abdominais não reproduzirem nenhum sintoma
  • Os testes cognitivos (quando disponíveis) tiverem voltado à linha de base

Mesmo após a liberação, o retorno deve ser gradual — começando com atividade leve (caminhada, bicicleta ergométrica), passando por exercícios específicos sem contato, e só então voltando ao treino completo e à competição. Em qualquer etapa: se os sintomas voltarem, pare imediatamente e consulte o médico.

⚠️ Se um treinador ou dirigente pressionar você a voltar antes da liberação médica — não ceda. A pressão para “não decepcionar o time” é real. O risco de uma segunda concussão também. Você tem apenas um cérebro.

Prevenção

Nem toda concussão é evitável — especialmente em esportes de contato. Mas algumas medidas reduzem o risco:

  • Use equipamentos de proteção adequados — capacete bem ajustado para ciclismo, skate, esportes de contato; protetor bucal em modalidades indicadas.
  • Aprenda a técnica correta — muitas concussões resultam de técnica inadequada em disputas de bola, tackles e quedas. Treinamento correto reduz o risco.
  • Fortaleça a musculatura cervical — músculos do pescoço mais fortes absorvem melhor os impactos e reduzem o movimento do crânio.
  • Conheça os sinais — você e seus colegas de time. Uma concussão identificada na hora protege não só você, mas o companheiro que talvez não perceba que levou uma.

Fonte: Adaptado de Concussions, Nemours KidsHealth (kidshealth.org). Revisão clínica: KidsHealth Medical Experts. Última revisão do original: outubro de 2023. Adaptação: adolesc.com.br, maio de 2026.

Dr. Marcelo Meirelles

CRM MG 45.283

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Formação

Médico Pediatra

⭐ Título de Especialista em Pediatria · SBP e AMB

⭐ Instrutor de Reanimação Neonatal · SBP

👨‍⚕️

Especialidade

Médico Hebiatra

⭐ Título de Especialista em Medicina do Adolescente · SBP e AMB

⭐ Pós-graduação em Psiquiatria na Infância e Adolescência




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