As anfetaminas estão mais presentes na vida dos adolescentes do que a maioria dos pais imagina — não apenas como drogas ilícitas, mas também como medicamentos de uso legítimo que podem ser desviados e usados de formas perigosas. Entender o que são, como agem e quais são os sinais de uso indevido é uma parte essencial de proteger seu filho.
O que são anfetaminas
Anfetaminas são estimulantes do sistema nervoso central altamente viciantes. Elas aceleram as funções cerebrais e corporais — aumentando a frequência cardíaca, a pressão arterial e a respiração, e provocando uma sensação intensa de alerta, energia e poder. Essa sensação é o que as torna atraentes para o uso recreativo — e perigosas.
Apresentam-se sob várias formas: comprimidos e cápsulas (incluindo medicamentos prescritos para TDAH), pó (para inalar), cristais (para fumar ou injetar) e líquido. Podem ser ingeridas, inaladas, fumadas ou injetadas. Independentemente da via de administração, o efeito chega rápido e é intenso.
A família das anfetaminas inclui substâncias com diferentes nomes nas ruas — speed, ice, cristal — e também medicamentos de uso controlado como metilfenidato (Ritalina), anfetamina e lisdexanfetamina (Venvanse), prescritos legitimamente para TDAH e narcolepsia, mas frequentemente desviados para uso recreativo ou para melhorar o desempenho em estudos.
Por que adolescentes usam — e como chegam até elas
O uso de anfetaminas entre adolescentes frequentemente começa de formas que não parecem “drogas” para quem está de fora:
- Uso não prescrito de medicamentos para TDAH. Estudantes que buscam melhorar a concentração e o desempenho acadêmico em períodos de provas podem tomar Ritalina ou Venvanse de colegas ou amigos — sem prescrição e sem acompanhamento médico. Esse “uso funcional” é amplamente normalizado em ambientes escolares de alta pressão.
- Uso recreativo. O efeito euforizante e energizante das anfetaminas em doses mais altas as torna atraentes em festas e ambientes sociais.
- Controle de peso. Anfetaminas suprimem o apetite — e algumas adolescentes as usam como estratégia de emagrecimento, sem entender os riscos.
O que as anfetaminas fazem no organismo
As anfetaminas agem principalmente aumentando a liberação de dopamina e noradrenalina no cérebro — neurotransmissores associados ao prazer, ao alerta e à motivação. O resultado imediato é uma sensação de energia, foco intenso, euforia e confiança. Mas os efeitos colaterais aparecem junto:
- Aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial
- Respiração acelerada
- Sudorese e tremores
- Dores de cabeça
- Insônia — às vezes por dias seguidos
- Visão turva
- Boca seca e ranger de dentes
- Perda de apetite e de peso
Com o uso prolongado ou em doses altas, os efeitos ficam muito mais graves: alucinações visuais e auditivas, paranoia intensa, psicose anfetamínica — um estado que pode ser indistinguível de um episódio psicótico agudo — e colapso cardiovascular.
Dependência e abstinência
As anfetaminas têm alto potencial de causar dependência física e psicológica. O cérebro se adapta à presença da substância e passa a precisar dela para funcionar normalmente. Quando o uso é interrompido, a abstinência pode ser intensa:
- Fadiga extrema — o chamado “crash” após o período de euforia
- Depressão profunda — o sistema dopaminérgico, superestimulado durante o uso, colapsa
- Ansiedade e irritabilidade intensas
- Fissura — desejo intenso e compulsivo pela substância
- Agressividade
Mesmo após a interrupção do uso, esses sintomas podem persistir por semanas ou meses — o que torna a recuperação um processo lento que exige acompanhamento profissional.
Sinais de que seu filho pode estar usando
Os sinais de uso de anfetaminas podem variar dependendo da substância específica, da dose e da frequência de uso. Alguns indicadores a observar:
- Períodos de atividade e fala muito intensas, seguidos de esgotamento total
- Insônia — ficar acordado por longos períodos sem aparente cansaço
- Perda de peso rápida sem explicação
- Pupilas dilatadas
- Sudorese excessiva sem motivo físico aparente
- Irritabilidade ou agressividade fora do padrão
- Mudanças abruptas de humor — euforia intensa seguida de depressão ou apatia
- Comportamento paranoico ou desconfiado sem motivo claro
- Medicamentos controlados desaparecendo mais rápido do que deveriam
O que fazer se você suspeita de uso
A primeira coisa é não reagir com confronto e acusação — isso geralmente fecha o canal de comunicação. Aborde com preocupação genuína, não com julgamento. A conversa deve ser sobre saúde, não sobre punição.
O segundo passo é buscar avaliação profissional — com o pediatra, hebiatra ou médico de família, que pode avaliar a situação clinicamente e orientar sobre os próximos passos. Se houver dependência estabelecida, o encaminhamento para um centro especializado em dependência química é o caminho.
O CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial — Álcool e Drogas) oferece atendimento gratuito pelo SUS para adolescentes com transtorno por uso de substâncias — incluindo anfetaminas. Você pode localizar o CAPS AD mais próximo pelo site do Ministério da Saúde ou pela Secretaria Municipal de Saúde da sua cidade.

