Contracepção de Emergência para Adolescentes – Quando e Como Usar






A contracepção de emergência (CE) reduz o risco de gravidez após relação sexual desprotegida ou falha do método contraceptivo habitual. Esta página explica quando e como utilizá-la, quais opções estão disponíveis no Brasil e o que fazer depois.

✅ A AAP (Academia Americana de Pediatria) recomenda que adolescentes sexualmente ativos recebam uma prescrição ou reserva prévia de contracepção de emergência — para que possam usá-la o mais rapidamente possível, se necessário. No Brasil, o levonorgestrel está disponível gratuitamente no SUS e sem receita em farmácias.

Quando a Contracepção de Emergência é Indicada

  • Relação sexual sem uso de nenhum método contraceptivo
  • Esquecimento de uma ou mais doses da pílula anticoncepcional
  • Atraso na troca do adesivo ou do anel vaginal
  • Atraso na aplicação do injetável
  • Ruptura ou escorregamento do preservativo durante a relação
  • Vômito após tomar a pílula anticoncepcional (pode reduzir a absorção)
  • Violência sexual — a CE deve ser oferecida imediatamente em todos os casos
⚠ A CE não substitui o uso regular de método contraceptivo e não protege contra ISTs. Deve ser reservada para situações de emergência, não para uso rotineiro.

Tipos de Contracepção de Emergência Disponíveis no Brasil

Pílulas de Contracepção de Emergência

Devem ser tomadas o mais rápido possível após a relação desprotegida — quanto antes, mais eficaz.

Medicamento Prazo máximo Eficácia Disponibilidade no Brasil
Levonorgestrel 1,5 mg
(“pílula do dia seguinte”)
Até 72 horas (quanto antes, melhor — idealmente nas primeiras 24h) ~75–89% de redução do risco ✅ Gratuito no SUS · Sem receita em farmácias
Acetato de ulipristal
(EllaOne®)
Até 120 horas (5 dias) Superior ao levonorgestrel, especialmente após 72h Com receita médica · Pouco disponível no Brasil
Levonorgestrel + peso corporal: estudos indicam que a eficácia do levonorgestrel pode ser reduzida em pessoas com peso acima de 75–80 kg. Nesses casos, a consulta com o médico para avaliar alternativas — como o DIU de cobre ou o acetato de ulipristal — é especialmente importante.

DIU de Cobre — A Opção Mais Eficaz

O DIU de cobre inserido em até 5 dias (120 horas) após a relação desprotegida é o método de CE com maior eficácia disponível — superior a 99%. Além de prevenir a gestação imediata, permanece no lugar como método contraceptivo de longo prazo (até 10 anos), caso a pessoa deseje mantê-lo.

  • Requer inserção por profissional de saúde treinado
  • Disponível gratuitamente em algumas redes do SUS e em clínicas especializadas
  • Não interrompe uma gestação já estabelecida — age prevenindo a fertilização e a implantação
  • Não protege contra ISTs
✅ Para vítimas de violência sexual, o DIU de cobre e as pílulas de CE devem ser oferecidos imediatamente no serviço de saúde, independentemente da idade. O Ministério da Saúde garante esse direito pelo protocolo de atenção integral às vítimas de violência sexual.

Como Usar Corretamente

  • 1
    Use o mais rápido possível
    A eficácia diminui com o tempo. O levonorgestrel funciona em até 72h — mas é significativamente mais eficaz nas primeiras 24h. Não espere.

  • 2
    Tome com ou sem alimento
    O levonorgestrel pode ser tomado independentemente de refeições. Se ocorrer vômito em até 2 horas após a ingestão, a dose deve ser repetida.

  • 3
    Continue o método contraceptivo habitual
    A CE não protege relações subsequentes. Continue ou reinicie o método habitual imediatamente após o uso da CE — e use preservativo até que o método regular esteja efetivo novamente.

  • 4
    Faça um teste de gravidez se a menstruação atrasar
    A CE pode alterar o ciclo menstrual — a menstruação pode vir antes ou depois do esperado. Se o atraso for superior a uma semana, faça um teste de gravidez e consulte o médico.

  • 5
    Consulte o médico após o uso
    A CE é uma oportunidade para revisar o método contraceptivo em uso, discutir opções mais eficazes (como os LARCs), realizar testagem para ISTs e, quando indicado, atualizar a vacinação — incluindo HPV.

O que a Contracepção de Emergência NÃO Faz

  • Não interrompe uma gravidez já estabelecida — a CE age antes da fertilização ou da implantação; não é abortiva
  • Não protege contra ISTs — incluindo HIV, sífilis, herpes, gonorreia, clamídia e HPV
  • Não é um método contraceptivo regular — sua eficácia é inferior à dos métodos de uso contínuo
  • Não garante 100% de proteção — mesmo usada corretamente, pode haver falha

Para Pais e Profissionais de Saúde

Conversar sobre contracepção de emergência com adolescentes não incentiva a atividade sexual — evidências mostram que o acesso a informações e à CE não aumenta o início da vida sexual nem a frequência de relações desprotegidas. O que aumenta é a capacidade do jovem de proteger sua saúde quando necessário.

  • A AAP recomenda que adolescentes recebam prescrição ou orientação sobre CE de forma antecipada — antes que precisem —, para que o acesso seja imediato quando necessário
  • Adolescentes com dificuldade de acesso à CE devem ser orientados a procurar a UBS ou pronto-socorro mais próximo — o SUS garante o fornecimento gratuito
  • Em casos de violência sexual, a CE deve ser oferecida imediatamente, juntamente com profilaxia para HIV (PEP) e outras ISTs — consulte o protocolo do Ministério da Saúde
  • Adolescentes com deficiência física ou cognitiva têm maior vulnerabilidade à violência sexual — merecem orientação específica sobre CE e direitos
  • Após o uso da CE, a consulta com o médico é uma oportunidade para oferecer métodos mais eficazes, como os LARCs (DIU ou implante), que eliminam a dependência do uso correto em cada relação
🚨 Vítimas de violência sexual têm direito a atendimento imediato em qualquer serviço de saúde — incluindo CE, PEP (profilaxia pós-exposição ao HIV), anticoncepção e suporte psicológico. Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou acesse a UPA/pronto-socorro mais próximo.
Fontes:

AAP Council on Adolescents and Young Adults. Emergency Contraception for Teens: When & How to Use It Safely. HealthyChildren.org. Atualizado em 13/06/2025. Disponível em: healthychildren.org.

Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com IST. Brasília: MS, 2022.

Ministério da Saúde. Prevenção e tratamento dos agravos resultantes da violência sexual contra mulheres e adolescentes: norma técnica. 3ª ed. Brasília: MS, 2012.

Dr. Marcelo Meirelles

CRM MG 45.283

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Formação

Médico Pediatra

⭐ Título de Especialista em Pediatria · SBP e AMB

⭐ Instrutor de Reanimação Neonatal · SBP

👨‍⚕️

Especialidade

Médico Hebiatra

⭐ Título de Especialista em Medicina do Adolescente · SBP e AMB

⭐ Pós-graduação em Psiquiatria na Infância e Adolescência




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