Transtorno por Uso de Substâncias em Adolescentes – Guia para Pais






Muitos adolescentes experimentam álcool ou outras substâncias em algum momento — e a maioria não desenvolve um transtorno. Mas uma parcela significativa vai além da experimentação e passa a usar substâncias de formas que interferem de forma real na escola, nas amizades e na saúde. Quando isso acontece, estamos diante do que a psiquiatria chama de Transtorno por Uso de Substâncias (TUS) — uma condição de saúde mental que exige atenção e tratamento, não apenas força de vontade.

💡 O transtorno por uso de substâncias não é falta de caráter nem fraqueza. É uma condição médica com critérios diagnósticos definidos — e com tratamentos eficazes disponíveis.

O que é o transtorno por uso de substâncias

O TUS é uma condição de saúde mental em que crianças ou adolescentes usam drogas ou álcool de formas prejudiciais à própria vida. Isso pode incluir dependência, uso que interfere no funcionamento cotidiano e comportamentos de risco associados ao uso da substância.

Uma característica central do TUS é o desenvolvimento de tolerância: o adolescente precisa de quantidades crescentes da substância para obter o mesmo efeito. Isso sinaliza que o organismo se adaptou ao uso — um dos marcadores mais importantes da dependência.

⚠️ Adolescentes são frequentemente habilidosos em esconder o uso de álcool ou drogas dos pais. Muitas vezes o primeiro sinal que chega aos adultos não é o uso em si — mas uma mudança de comportamento: faltas na escola, afastamento de amigos antigos ou queda no desempenho.

Sinais e sintomas

Os sinais de que um jovem pode estar desenvolvendo um TUS incluem:

  • Estar frequentemente embriagado ou sob efeito de drogas.
  • Usar substâncias antes ou durante a escola.
  • Vender drogas.
  • Esconder álcool ou drogas no quarto.
  • Faltar à escola com frequência.
  • Queda significativa no desempenho escolar.
  • Afastamento de amigos antigos e abandono de atividades anteriores.
  • Comportamentos de risco: brigas, dirigir ou andar em veículos com motoristas sob efeito de substâncias.
  • Fissura intensa por uma substância específica.
  • Necessidade de quantidades crescentes para obter o mesmo efeito (tolerância).
  • Sintomas de abstinência quando não consegue usar a substância.

Como o diagnóstico é feito

O TUS pode se manifestar de formas muito diferentes. Para ser diagnosticado, o uso de substâncias pelo adolescente precisa estar causando problemas concretos: dificuldades na escola, problemas sociais ou comportamentos perigosos. O desenvolvimento de tolerância também é um sinal de que a ajuda profissional pode ser necessária.

Nem todo jovem que experimenta substâncias desenvolve um transtorno — mas mesmo adolescentes que dizem estar “só experimentando” e que não preenchem formalmente os critérios diagnósticos merecem avaliação. Frequentemente o uso de substâncias é uma estratégia de enfrentamento para desconfortos emocionais que têm origem em outro transtorno, como ansiedade ou depressão — e esse padrão de evitação precisa ser identificado e substituído por formas mais eficazes de lidar.

💡 Muitos adolescentes com TUS também têm um diagnóstico concomitante, como depressão ou ansiedade. As substâncias podem agravar esses sintomas e, às vezes, interagir de forma perigosa com medicamentos que o jovem já usa.

Como o tratamento funciona

O tratamento do TUS tem várias etapas. A abordagem específica depende da gravidade do transtorno e do tempo de uso.

Primeiro passo: cessar o uso

O passo inicial é ajudar o adolescente a interromper o uso da substância. Em casos de dependência grave, um médico pode indicar um processo de desintoxicação supervisionada para manejo dos sintomas de abstinência. Dependendo da gravidade, isso pode acontecer em casa com terapia estruturada intensa ao longo do dia — ou pode exigir internação em programa especializado em dependência química.

Segundo passo: terapia

Após a interrupção do uso, diferentes modalidades terapêuticas costumam ser utilizadas simultaneamente:

  • Psicoterapia individual — sessões com terapeuta especializado em dependência química.
  • Terapia familiar — toda a família participa de sessões com um terapeuta.
  • Grupos de apoio — para o adolescente e, quando indicado, para a família.

Terceiro passo: tratar os transtornos associados

Muitos jovens com TUS também têm ansiedade, depressão ou outros transtornos — e podem ter começado a usar substâncias justamente para aliviar os sintomas dessas condições. Esses transtornos precisam ser tratados ao mesmo tempo que o TUS. Tratar apenas a dependência sem abordar a condição subjacente compromete seriamente as chances de recuperação.

⚠️ Tratar o TUS isoladamente — sem identificar e tratar transtornos mentais concomitantes — é uma das principais razões pelas quais o tratamento falha ou o adolescente recai. O duplo diagnóstico exige abordagem dupla.

O caminho de volta pode ser longo e não é linear — recaídas fazem parte do processo de recuperação para muitos jovens. O que importa é que seu filho saiba que você está do lado dele, que o tratamento existe e que a recuperação é possível.

Fonte: Adaptado de Quick Guide to Substance Use Disorder, Child Mind Institute (childmind.org). Revisão clínica: Dr. Marc Shuldiner, PsyD. Última revisão do original: agosto de 2024. Adaptação: adolesc.com.br, maio de 2026.

Dr. Marcelo Meirelles

CRM MG 45.283

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Formação

Médico Pediatra

⭐ Título de Especialista em Pediatria · SBP e AMB

⭐ Instrutor de Reanimação Neonatal · SBP

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Especialidade

Médico Hebiatra

⭐ Título de Especialista em Medicina do Adolescente · SBP e AMB

⭐ Pós-graduação em Psiquiatria na Infância e Adolescência




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