Meu Filho Adolescente Está Usando Drogas ou Álcool?






Pais realistas sabem que a maioria dos adolescentes vai ser exposta a álcool e drogas em algum momento. Isso não significa resignação — significa que a pergunta relevante não é “meu filho vai ser exposto?” mas sim: “Como reconheço quando ele está escorregando para um território realmente perigoso?”

💡 Há uma diferença importante entre experimentação ocasional e uso problemático. Alguns sinais indicam que o adolescente pode estar desenvolvendo um problema sério — e quanto mais cedo eles são identificados, mais eficaz é a intervenção.

Atenção imediata: substâncias de alto risco

Certas substâncias devem ser motivo de preocupação imediata, independentemente de qualquer outro sinal: heroína, opioides analgésicos usados de forma recreativa, cocaína e metanfetamina. Qualquer contato de um adolescente com essas substâncias requer avaliação profissional urgente — não é situação para esperar e observar.

⚠️ Com opioides em particular, o risco de dependência e overdose pode se estabelecer muito rapidamente — em questão de semanas. Não espere por “provas conclusivas” para buscar ajuda.

Sinais de alerta para álcool e maconha

No caso de álcool e maconha — presentes em muitos ambientes que adolescentes frequentam — os sinais de que pode haver um problema em desenvolvimento são mais sutis, mas igualmente importantes. O Dr. Alan Ravitz, psiquiatra forense com mais de 30 anos de experiência clínica, lista os principais:

  • Uso frequente ou em horários inapropriados. Estar frequentemente intoxicado, usar substâncias antes ou durante a escola, ou esconder álcool e drogas no quarto são sinais claros de que o uso deixou de ser ocasional.
  • Queda no desempenho escolar ou faltas frequentes. Mudanças abruptas nas notas ou no comparecimento à escola — especialmente quando não há outra explicação aparente — merecem investigação.
  • Mudança de amigos ou abandono de atividades anteriores. Trocar repentinamente de grupo social, afastar-se de amigos antigos e abandonar hobbies ou esportes que antes eram importantes pode indicar que o adolescente está se aproximando de um grupo onde o uso de substâncias é normalizado.
  • Comportamentos de risco. Envolvimento em brigas, dirigir ou andar em veículos com motoristas alcoolizados, ou outros comportamentos claramente imprudentes são sinais de alerta graves.
  • Tolerância crescente. Quando o adolescente precisa de quantidades cada vez maiores da substância para obter o mesmo efeito, isso indica que o organismo já se adaptou — um dos marcos clínicos da dependência.
  • Sintomas de abstinência. Irritabilidade intensa, ansiedade, tremores, náusea ou outros sintomas físicos quando não está usando são sinais de que o organismo desenvolveu dependência fisiológica.
  • Tentativas frustradas de parar. Se o adolescente já tentou reduzir ou controlar o uso e não conseguiu, isso é um critério diagnóstico de transtorno por uso de substâncias — e requer avaliação especializada.

Atenção redobrada quando há transtorno mental associado

Dois cenários merecem atenção especial dos pais e dos profissionais de saúde:

Adolescente com diagnóstico psiquiátrico

Substâncias psicoativas podem piorar significativamente transtornos mentais preexistentes. Estimulantes podem induzir episódios maníacos em jovens com predisposição ao transtorno bipolar. Maconha, álcool e opioides podem desencadear ou aprofundar depressão em adolescentes já vulneráveis. O uso concomitante aumenta o risco de crises graves e de hospitalizações.

Adolescente em uso de medicação psiquiátrica

Quando um adolescente faz uso de medicamentos para transtornos psiquiátricos — TDAH, depressão, ansiedade, entre outros — o uso de drogas ou álcool interfere diretamente na eficácia do tratamento. A medicação foi calculada para um cérebro em seu estado basal, não para um cérebro sendo alterado por outras substâncias. O resultado pode ser perda de eficácia, efeitos imprevisíveis ou interações perigosas.

⚠️ Transtorno mental + uso de substâncias = duplo diagnóstico. Essa combinação exige tratamento simultâneo das duas condições — tratar apenas uma delas raramente funciona. Se você suspeita que seu filho está nessa situação, busque avaliação com profissional experiente em duplo diagnóstico.

O que fazer se você reconhece esses sinais

Identificar os sinais é o primeiro passo — mas reconhecê-los não significa esperar para ver se passam sozinhos. Quanto mais cedo o uso problemático é identificado e tratado, maiores as chances de recuperação completa. A janela de intervenção na adolescência é estreita e preciosa.

  • Não confronte sozinho. Uma conversa direta com o adolescente é importante, mas não substitui avaliação profissional. O pediatra ou hebiatra é o ponto de partida ideal.
  • Não minimize. Frases como “é só uma fase” ou “eu também fiz isso na sua idade” podem ser verdadeiras — mas não são úteis quando há sinais de problema real. Errar pelo excesso de cautela é muito menos perigoso do que errar pelo excesso de tolerância.
  • Não ameace sem agir. Ameaças que não se concretizam ensinam ao adolescente que as regras não são sérias. Se você disse que vai buscar ajuda profissional — busque.
  • Busque apoio para você também. Lidar com um filho com uso problemático de substâncias é exaustivo e emocionalmente devastador. Grupos de apoio para pais e acompanhamento psicológico fazem diferença real na capacidade de sustentar o processo de tratamento do filho.

Reconhecer o problema é um ato de amor — e de coragem. O estigma em torno do uso de drogas faz com que muitas famílias demorem mais do que deveriam para buscar ajuda. Quanto antes você agir, maiores as chances de uma história diferente para o seu filho.

Fonte: Adaptado de Is My Teenager a Substance Abuser?, Dr. Alan Ravitz, MD, MS, Child Mind Institute (childmind.org). Última revisão do original: junho de 2025. Adaptação: adolesc.com.br, maio de 2026.

Dr. Marcelo Meirelles

CRM MG 45.283

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Formação

Médico Pediatra

⭐ Título de Especialista em Pediatria · SBP e AMB

⭐ Instrutor de Reanimação Neonatal · SBP

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Especialidade

Médico Hebiatra

⭐ Título de Especialista em Medicina do Adolescente · SBP e AMB

⭐ Pós-graduação em Psiquiatria na Infância e Adolescência




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