Como Conversar com Adolescentes sobre Drogas e Álcool






A adolescência é uma fase de experimentação — e essa experimentação pode, em certos momentos, chegar perto de drogas e álcool. Estabelecer regras claras sobre o uso de substâncias ajuda a dar ao adolescente a estrutura que ele precisa para se manter seguro. Você não pode garantir que as regras nunca serão quebradas. Mas a pesquisa é clara: jovens que crescem com regras definidas — mesmo quando as violam — têm muito menos probabilidade de se meter em problemas sérios do que aqueles que crescem sem nenhuma referência.

💡 Mesmo quando as regras são quebradas, adolescentes cujos pais definiram claramente o que é e o que não é aceitável têm menos probabilidade de ir aos extremos — e mais probabilidade de fazer escolhas mais seguras nas situações de risco.

1. Avise antes — não surpreenda

Abordar um adolescente de surpresa com um assunto sério tende a deixá-lo na defensiva. Avise com antecedência e seja claro sobre o que a conversa vai envolver: “Amanhã à noite quero conversar com você sobre álcool e drogas. Você não está em apuros. Só quero falar sobre como estamos um em relação ao outro e ouvir se você tem alguma preocupação.”

Isso dá ao adolescente tempo para se preparar emocionalmente — e evita que ele se sinta emboscado, o que quase sempre fecha a conversa antes que ela comece.

2. Seja específico nas regras e nas consequências

Regras vagas não funcionam. Deixe claro o que é proibido e o que acontece especificamente se a regra for quebrada. Evitar a ambiguidade permite que o adolescente saiba onde você está — e pesquisas mostram que crianças tendem a ser mais seguras quando os pais estabelecem limites claros.

💡 Regras claras também funcionam como escudo social. Quando um adolescente está sendo pressionado a fazer algo com que não se sente confortável, poder usar os pais como desculpa é uma saída real: “Não posso — meus pais me deixam de castigo por uma semana.” Essa frase pode salvar seu filho de situações difíceis sem que ele precise confrontar os pares diretamente.

3. Explique os motivos — não apenas as regras

Adolescentes costumam receber ordens sem explicação. Quando você explica seus motivos, está convidando seu filho para uma conversa mais aberta e adulta — e aumentando as chances de que ele internalize o raciocínio por trás das regras, não apenas as regras em si.

Seja honesto e racional. Obviamente, algumas substâncias são mais perigosas do que outras. Mas qualquer substância prejudica o julgamento — e um adolescente com o julgamento comprometido tem muito mais probabilidade de se encontrar em situações perigosas: dirigir alcoolizado, ter relações sexuais não planejadas ou de risco, se envolver em situações de violência. Sem falar nas consequências práticas: registro escolar, perda de vaga em times esportivos, impacto nas perspectivas de faculdade.

⚠️ No Brasil, a lei é clara: qualquer consumo de álcool por menores de 18 anos é ilegal. O uso de qualquer substância ilícita também o é — independentemente da idade. Essas informações fazem parte da conversa.

4. Trate seu filho como o adulto que você quer que ele se torne

Adolescentes são extremamente sensíveis ao tom condescendente. Fale com seu filho da forma como você gostaria de ser falado. Ao mostrar respeito, você está modelando o comportamento que espera dele — e deixando claro que confia que ele vai agir com responsabilidade, não apenas por sua causa, mas pela dele também.

Lembre-se: no final das contas, é ele quem vai tomar as decisões. Você pode estabelecer regras e consequências, mas não pode estar presente em cada situação. O objetivo é que ele internalize valores suficientes para fazer boas escolhas quando você não está por perto.

5. Dê espaço para ele falar

Abrir espaço para que o adolescente expresse preocupações e faça perguntas aumenta as chances de que ele se sinta confortável sendo honesto com você no futuro. Ele pode ter estado esperando exatamente essa abertura para trazer algo que o preocupa — mas que nunca soube como começar.

Um diálogo real — em que as duas partes falam e ouvem — é muito mais eficaz do que um monólogo bem-intencionado. E muito mais provável de ser lembrado.

6. O que fazer se ele perguntar sobre suas experiências

Pais às vezes se sentem hipócritas quando escalam a conversa. Se seu filho perguntar se você já experimentou drogas, você pode optar por manter suas experiências privadas — nem tudo do seu passado precisa estar disponível para seus filhos — ou pode compartilhar, mas sem romantizar ou glamourizar o que viveu.

Você também pode explicar que, como pai ou mãe, seu papel é justamente ajudá-lo a evitar coisas das quais ele vai se arrepender — e o uso de substâncias aumenta consideravelmente as chances de fazer algo que você lamenta.

7. A política de anistia condicional

O que queremos, antes de tudo, é que nossos filhos estejam seguros. Uma das ferramentas mais eficazes para isso é o que especialistas chamam de política de anistia condicional: um acordo pelo qual seu filho pode te ligar pedindo ajuda em uma situação de risco sem sofrer as consequências habituais que sofreria se tentasse esconder o que estava fazendo.

💡 Como funciona na prática: se seu filho estiver em uma festa e quiser ir embora — porque bebeu, porque o motorista designado bebeu, porque simplesmente não está se sentindo bem — ele pode te ligar e pedir ajuda, sem gritos e sem castigo imediato. Ele volta para casa, vai dormir. Na manhã seguinte, vocês conversam sobre o que aconteceu. A anistia não o isenta de responsabilidade — ela garante que ele te ligue em vez de se colocar em risco.

Essa política só funciona se o adolescente realmente acreditar que pode usá-la. Isso significa que você precisa cumprir o combinado — inclusive na parte mais difícil, que é conter a reação imediata e esperar até a manhã seguinte para conversar.

8. Esta é uma conversa contínua — não um evento único

Conversar com seu filho sobre drogas e álcool não é uma tarefa que se risca da lista depois de feita uma vez. Os fatores de risco mudam e se multiplicam ao longo da adolescência. Fique atento a mudanças de humor, novos grupos de amigos e outros sinais de que pode ser hora de retomar o assunto.

Deixe claro que a conversa é aberta e de mão dupla: “Vou checar com você sobre isso de vez em quando — e se você tiver dúvidas ou preocupações, pode sempre me perguntar também.” Manter os canais de comunicação abertos é o que permite que você e seu filho se sintam conectados e seguros durante uma fase que pode ser bastante turbulenta.

Fonte: Adaptado de How to Talk to Your Teen About Substance Use, de Rae Jacobson, Child Mind Institute (childmind.org). Última revisão do original: maio de 2026. Adaptação: adolesc.com.br, maio de 2026.

Dr. Marcelo Meirelles

CRM MG 45.283

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Formação

Médico Pediatra

⭐ Título de Especialista em Pediatria · SBP e AMB

⭐ Instrutor de Reanimação Neonatal · SBP

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Especialidade

Médico Hebiatra

⭐ Título de Especialista em Medicina do Adolescente · SBP e AMB

⭐ Pós-graduação em Psiquiatria na Infância e Adolescência




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