Dos 6 aos 16 anos, elas eram inseparáveis. Então, em uma semana, a amiga simplesmente decidiu que não queria mais andar junto. “Eu sentia que éramos uma pessoa só — e de repente nos dividimos em duas.” Não existe palavra melhor para isso do que a que usamos para relacionamentos românticos: término.
O fim de uma amizade próxima pode ser tão doloroso quanto um término amoroso — às vezes mais. Para pré-adolescentes e adolescentes, a dor é especialmente intensa, e pode afetar a forma como pensam sobre si mesmos e sobre todos os seus relacionamentos futuros. Entender por que isso acontece, o que dizer, e como ajudar o filho a navegar a situação — de ambos os lados — é o que este artigo propõe.
Por que os términos de amizade acontecem
É importante distinguir um término de amizade de um afastamento natural. Amigos que se distanciam porque não estão mais na mesma turma ou porque os interesses divergiram estão vivendo algo diferente de uma ruptura intencional — quando uma pessoa decide encerrar a amizade, ou quando alguém é excluído de um grupo.
Os términos raramente acontecem por um único motivo. Jenna Klorfein, assistente social clínica e ex-orientadora escolar, observa que o que ela mais ouve dos jovens não são razões claras, mas queixas vagas: “Ela está tão chata. Está se comportando de forma estranha.” Por baixo dessas queixas costumam haver padrões acumulados — interesses que divergiram, a sensação de estar sendo sufocado, incapacidade de conviver com outros amigos. Uma sequência de situações, até que uma delas rompe o equilíbrio.
Por que dói tanto
A dor fica sem resolução
Pesquisas mostram que jovens frequentemente usam estratégias de evitação para encerrar amizades: começam a inventar desculpas para não se encontrar, ficam menos presentes, até que o outro “entenda o recado”. Ou fazem algo ainda mais súbito — o que ficou conhecido como ghosting: cortam toda comunicação abruptamente, sem explicação.
Um estudo de 2019 identificou que cerca de 45% dos adolescentes e jovens adultos já foram vítimas de ghosting — e já fizeram ghosting em outra pessoa. O problema com o ghosting é que ele deixa a dor sem resposta. A ruminação que segue — “O que eu fiz de errado?” — é inevitável quando não há explicação.
A dor parece pessoal — porque nós escolhemos nossos amigos
Não escolhemos nossa família, mas escolhemos nossos amigos. Por isso, quando alguém decide que não quer mais sua amizade, a rejeição parece dizer algo sobre quem você é — não apenas sobre o relacionamento. Para adolescentes que constroem boa parte da identidade através dos amigos, perder uma amizade pode sensação de perder uma parte de si mesmo.
O que os pais podem fazer para ajudar
Valide os sentimentos — sem pressa para resolver
O Dr. Dave Anderson, psicólogo do Child Mind Institute, ressalta que muito do que os pais podem fazer nesse momento é simplesmente ouvir. Validar. Dizer: “Estou ouvindo você.” Você pode perguntar se o filho quer ajuda para pensar em como lidar com a situação — mas esteja preparado para recuar se a resposta for não. Às vezes é muito difícil, mas você precisa reconhecer o que ele está te dizendo.
Compartilhe sua própria história — se fizer sentido
Contar sobre um término de amizade que você viveu pode ajudar o filho a se sentir menos sozinho. Klorfein observa que é especialmente útil para os jovens verem que adultos passaram por isso e sobreviveram — torna a experiência menos isolante. Mas use o bom senso: há momentos em que o adolescente vai achar irrelevante. Você conhece seu filho melhor do que qualquer especialista.
“Despersonalize” o término
Klorfein usa uma abordagem que chama de “despersonalizar” o término: ajudar o jovem a ver o que não estava funcionando naquele relacionamento — para os dois lados — sem atacar o ex-amigo. Uma frase que ela usa com frequência: “Esse relacionamento não estava servindo a nenhum dos dois. Se ela estava se sentindo assim, isso está te dando a oportunidade de construir outros relacionamentos com pessoas que não se sentem assim em relação a você.”
Oriente a controlar os impulsos
É normal sentir raiva após um término de amizade. Mas aconselhe o filho a esperar antes de tentar conversar com o ex-amigo ou reagir nas redes sociais. Postagens passivo-agressivas e comentários irônicos em sala podem parecer satisfatórios no momento e piorar tudo depois. Se ele quiser se manifestar, pergunte primeiro: “O que você quer comunicar — e por quê?” Comunicar-se quando ainda está muito chateado raramente transmite o que você realmente quer dizer.
Quando é o seu filho quem quer encerrar uma amizade
Validar a dor de quem perde um amigo é importante — mas também é importante ensinar que ninguém precisa permanecer em uma amizade que não faz mais sentido. O desafio é como fazer isso de forma honesta e respeitosa.
Ensine a usar frases na primeira pessoa
Adolescentes ainda estão aprendendo a se comunicar nos relacionamentos. Ajude-os a encontrar linguagem que expresse como eles se sentem, não o que o outro está fazendo de errado. Em vez de “Você me irrita” ou “Você é um amigo ruim”, incentive frases como: “Eu preciso de um tempo” ou “Eu gosto muito da nossa amizade, mas quero também ter a oportunidade de conhecer outras pessoas.”
Deixe claro que essa conversa vai ser desconfortável — mas que é importante tê-la diretamente com o amigo, não com outros amigos em comum. Falar mal pelas costas antes de encerrar uma amizade costuma gerar mais dano do que o término em si.
Modele o que é manter amizades saudáveis
Pense nas suas próprias amizades e na forma como você lida com conflitos e divergências dentro delas. Falar com o filho sobre como você resolve problemas com amigos — sem ignorar ou esperar que se resolvam sozinhos — mostra que conflito não precisa significar fim. E que toda amizade real exige, em algum momento, cuidado ativo.

