Como Ajudar seu Filho Adolescente a Superar um Término






Você provavelmente se lembra bem da dor de um término na adolescência — especialmente quando envolvia alguém que você imaginava que poderia ser “o certo”. Mas quando é o seu próprio filho passando por isso, as palavras certas nem sempre aparecem. E os términos adolescentes hoje são mais intensos e mais públicos do que nunca.

💡 Não podemos evitar o sofrimento emocional dos nossos filhos, nem fazê-lo desaparecer tão rápido quanto gostaríamos — mas há coisas concretas que podemos dizer e fazer para ajudar. — Dr. Dave Anderson, psicólogo clínico sênior

Por que os términos adolescentes são mais difíceis hoje

Casais adolescentes estão em contato praticamente o dia todo — mensagens, videochamadas, às vezes fazendo tarefa com a câmera aberta. O nível de conexão constante é muito mais intenso do que o de muitos casais adultos. Quando esse relacionamento termina, não há apenas a perda da pessoa: há um buraco enorme na rotina diária. Um vácuo que antes estava preenchido por centenas de mensagens por dia.

As redes sociais tornam tudo mais público e mais rápido. A notícia do término se espalha em minutos entre os amigos — antes mesmo que o próprio adolescente tenha tido tempo de processar o que aconteceu. E como a intensidade emocional na adolescência é naturalmente mais alta do que em outras fases da vida, a combinação de tudo isso cria uma tempestade perfeita de sofrimento.

⚠️ “A intensidade emocional durante a adolescência é maior do que em outras fases da vida.” — Dr. Dave Anderson. Isso significa que o sofrimento de um término adolescente é real e genuíno — não exagero, não drama. Trate-o com a seriedade que merece.

Os primeiros dias: o que fazer (e o que evitar)

Choque, tristeza, raiva — nos primeiros dias após um término, o adolescente pode estar sentindo tudo isso ao mesmo tempo. Mesmo que ele tenha terminado a relação, ou que tenha sido uma decisão mútua, o sofrimento pode ser igualmente intenso. Algumas orientações:

  • Comece com empatia — não com perguntas. Resista ao impulso de pedir mais detalhes do que seu filho quer compartilhar. Ofereça opções: “Eu sei que isso deve estar sendo muito difícil. Se você quiser conversar, estou aqui. Se quiser só companhia enquanto faz a tarefa ou assiste a algo, também estou.” Se ele disser “estou bem” mas claramente não está, dê um dia e volte: “Quero que saiba que estou preocupado com você e que estou aqui.”
  • Convide os amigos dele para casa. Uma noite de filme com amigos e sorvete é mais do que uma distração — é uma prova de que as pessoas ainda querem a companhia dele. Os amigos têm uma capacidade natural e criativa de apoiar uns aos outros que merece ser reconhecida.
  • Guarde sua opinião sobre o ex para si mesmo. Seja qual for seu sentimento sobre o relacionamento que acabou — alívio, tristeza, raiva — este não é o momento de compartilhar. Desabafe com um parceiro, amigo ou terapeuta. Não com seu filho.
  • Mas fale sobre a “zona de amizade”. Se seu filho disser que vai tentar ser amigo do ex logo depois do término, desencoraje gentilmente. É muito difícil ir diretamente do romance para a amizade quando os sentimentos ainda estão tão intensos. Você pode dizer: “Pode ser que vocês sejam amigos mais pra frente — mas é difícil transitar sentimentos tão intensos assim direto para uma amizade.”
  • Avise o terapeuta, se houver. Se seu filho já faz acompanhamento em saúde mental, informe o profissional sobre o término para que ele tenha mais um adulto de confiança com quem conversar sobre o que aconteceu.

A fase seguinte: retomar a rotina

Depois de alguns dias de luto, é hora de começar a voltar aos poucos. Como ajudar:

  • Diga a ele que não está sozinho. Depois de reconhecer o que ele está sentindo, ajude-o a olhar para a frente. O Dr. Anderson sugere começar com algo como: “Estou muito triste de ver o que você está passando. Eu já passei por isso, todo mundo que conheço já passou, e você não está sozinho nisso.” Aí, se for o momento certo, você pode compartilhar uma história da sua própria adolescência. Depois, abra espaço para falar sobre como seguir em frente — sem cobrar que ele já esteja “superado”.
  • Ajude-o a refletir. Algumas coisas ajudaram nos últimos dias; outras pioraram. Encoraje seu filho a identificar quais foram quais — com honestidade. Se ele insiste em continuar seguindo o ex nas redes sociais porque “ajuda a se sentir conectado”, pergunte: “Como isso te ajuda quando você vê ele saindo com os amigos?” Se ele não estiver pronto para desbloquear, sugira silenciar as postagens por um tempo.
  • Mantenha-o ocupado. Distrações têm valor real. Proponha sair para um lugar que exija envolvimento ativo — uma sala de escape, boliche, aula de culinária. Lugares passivos onde é fácil ficar ruminando são menos eficazes. E evite lugares que possam lembrar o ex.
  • Fique atento ao excesso de análise. Conversar sobre o término com os amigos próximos é saudável. Ficar reanalisando os mesmos detalhes com grupos diferentes de amigos por dias a fio pode piorar as coisas. Se perceber isso acontecendo, é hora de oferecer distrações e reforçar os limites habituais de tempo de tela.

Quando buscar ajuda profissional

É normal e até saudável estar abalado por um término. Mas há sinais de alerta que os pais devem observar. Se depois de alguns dias seu filho continua sendo muito duro consigo mesmo e com os outros, pode precisar de apoio profissional para desenvolver mecanismos de enfrentamento mais saudáveis.

O Dr. Anderson observa que a maioria dos adolescentes começa a sentir o término de forma menos aguda em cerca de duas semanas e volta gradualmente à sua rotina. Se você não vê sinais disso acontecendo, marque uma consulta com um profissional de saúde mental. Términos podem ser gatilhos para episódios depressivos em adolescentes.

⚠️ Sinais de alerta após um término: isolamento prolongado além de duas semanas, queda significativa no desempenho escolar, abandono de atividades que antes gostava, comportamentos autodestrutivos, fala sobre desesperança ou ausência de sentido. Nesses casos, busque avaliação profissional.

O lado positivo que é difícil ver agora

Embora seja difícil assistir ao sofrimento do filho sem conseguir “consertar”, há algo valioso que acontece quando um adolescente atravessa o sofrimento emocional de forma bem acompanhada: ele aprende que consegue lidar com emoções dolorosas e encontrar um caminho.

Essa experiência também constrói empatia. Quando um amigo próximo seu filho tiver o coração partido no futuro, alguém que já passou por isso vai conseguir oferecer um apoio muito mais real do que quem nunca viveu essa dor. O término de hoje é o que torna seu filho um amigo melhor amanhã.

Fonte: Adaptado de How to Help Your Teen Through a Breakup, de Karen Cicero, Child Mind Institute (childmind.org). Revisão clínica: Dr. Dave Anderson, PhD. Última revisão do original: abril de 2024. Adaptação: adolesc.com.br, maio de 2026.

Dr. Marcelo Meirelles

CRM MG 45.283

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Formação

Médico Pediatra

⭐ Título de Especialista em Pediatria · SBP e AMB

⭐ Instrutor de Reanimação Neonatal · SBP

👨‍⚕️

Especialidade

Médico Hebiatra

⭐ Título de Especialista em Medicina do Adolescente · SBP e AMB

⭐ Pós-graduação em Psiquiatria na Infância e Adolescência




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