Por Que Assistir TV com Seu Filho Pré-Adolescente ou Adolescente






Pré-adolescentes e adolescentes assistem a séries, vídeos e filmes em celulares, tablets e computadores — muitas vezes sozinhos, em seus quartos, com fone de ouvido. Para os pais, isso significa perder o controle sobre o que o filho consome e, mais importante, perder oportunidades valiosas de conexão. Mas existe uma estratégia simples e subestimada que pode reverter parte disso: assistir junto.

💡 Assistir às séries favoritas do seu filho junto com ele não é concessão ou rendição ao tempo de tela. É uma das formas mais eficazes de manter o vínculo durante a fase em que ele mais se afasta — e de abrir conversas sobre temas que dificilmente surgiriam de outra forma.

Um jeito de navegar pelos campos minados do ensino fundamental II

A pré-adolescência é o período em que os filhos começam a confidenciar menos com os pais — exatamente quando as questões de identidade, os dramas de amizade e a pressão dos pares se intensificam. Séries e outros conteúdos de mídia exercem uma influência enorme sobre jovens nessa fase.

Assistir junto é uma forma de os pais se manterem informados sobre os “memes culturais” que seu filho está absorvendo — sem precisar fazer perguntas diretas que o adolescente provavelmente responderia com uma careta. O conteúdo da série vira o assunto da conversa, não o filho.

💬 “No ensino fundamental II, acho ótimo assistir TV com seus filhos porque é assim que você vai saber quais memes culturais eles estão absorvendo. O desafio é assistir com eles e falar sobre isso sem ser intenso, assustador ou condenatório. Você não pode demonizar o mundo em que nossos filhos estão crescendo — mas pode ajudá-los a aprender a desconstruir os valores.” — Dra. Catherine Steiner-Adair, psicóloga, Harvard

A própria Dra. Steiner-Adair assistiu com a filha a uma série canadense sobre adolescentes durante os anos de ensino médio. O que era entretenimento virou uma porta de entrada natural para conversar sobre sentimentos, impacto nas outras pessoas, diferenças, raça, classe e identidade — temas que raramente surgem em uma conversa direta entre pais e filhos.

Criar rituais de conexão

Assistir junto pode se tornar um ritual familiar que cria um espaço seguro de proximidade — especialmente em momentos de turbulência. Uma série que pai e filho acompanham juntos toda semana vira um ponto de encontro regular: algo que pertenece aos dois, que não precisa ser “importante” para ser significativo.

Esse tipo de tempo compartilhado tem um efeito acumulativo: ao longo de semanas e meses, constrói um repertório comum, um sentido de parceria e uma familiaridade que facilita as conversas difíceis quando elas precisam acontecer.

💡 Não é preciso gostar do mesmo tipo de série. O que importa é a disposição de entrar no universo do filho — e deixar que ele perceba isso. Às vezes, a mensagem mais importante que um pai pode mandar é: “O que você gosta me importa.”

Fazer o filho falar — sem que pareça uma entrevista

O Dr. Matthew Rouse, psicólogo clínico, observa que depois de assistir juntos a um conteúdo difícil ou desconfortável e conversar sobre ele, o filho tende a ser mais propenso a procurar o pai quando enfrentar uma situação semelhante na vida real.

O mecanismo é simples: falar sobre temas sensíveis e pessoais fica mais fácil quando eles aparecem primeiro em terceira pessoa — em um personagem fictício. A partir daí, aos poucos, a conversa pode circular até chegar ao que o filho realmente está vivendo. Se os pais já conversaram sobre imagem corporal distorcida em uma série, por exemplo, o filho sente que eles “já estão por dentro” e tem mais facilidade de trazer isso quando começa a acontecer na vida dele.

💬 “Quando crianças falam sobre coisas muito sensíveis e pessoais, às vezes é mais fácil falar sobre elas de forma indireta — falar sobre o assunto como ele se relaciona a um personagem fictício. E então, conforme abordam o tema, podem eventualmente circular de volta para algo com que elas próprias estão lidando.” — Dr. Matthew Rouse, psicólogo clínico

Fazer o controle de danos — sem proibir

Com a proliferação de dispositivos, tornou-se praticamente impossível impedir que adolescentes assistam a conteúdos que os pais não aprovariam. A abordagem mais eficaz não é proibir — é estar presente.

Quando você assiste junto, tem a oportunidade de comentar, questionar e contextualizar o que o filho está vendo — sobre raça, gênero, estereótipos, violência, sexualidade, saúde mental. Não como uma aula, mas como uma conversa natural disparada pelo próprio conteúdo.

⚠️ Conteúdos que retratam suicídio, automutilação, uso de drogas ou transtornos mentais de forma glamourizada ou incorreta são especialmente perigosos para adolescentes vulneráveis. Assistir junto — e conversar sobre o que estão vendo — é a melhor forma de corrigir mensagens distorcidas antes que se instalem.

O Dr. Peter Faustino, psicólogo escolar, alerta que proibir o filho de assistir a algo que todos os amigos estão assistindo tende a fechar a porta para conversas com adolescentes. Uma abordagem melhor é perguntar por que ele quer assistir. A resposta revela muito mais do que o conteúdo em si.

💬 “Se uma criança diz que quer assistir porque todo mundo está assistindo, isso é muito diferente de ela dizer ‘Estou sentindo algumas daquelas coisas e acho que pode ser uma forma de resolver meus problemas.’ Essa segunda resposta é claramente uma conversa muito diferente — e então os pais precisam corrigir esses mal-entendidos e concepções erradas.” — Dr. Peter Faustino, psicólogo escolar

Como aproveitar melhor o tempo assistindo juntos

Algumas orientações práticas para transformar o tempo de tela compartilhado em tempo de qualidade:

  • Deixe o filho escolher. Você está entrando no universo dele — não o contrário. Aceitar a série favorita dele sem reclamar já é um gesto de respeito.
  • Assista sem o celular. Presença parcial não conta. Se você está respondendo mensagens enquanto “assiste junto”, o filho percebe — e a mensagem que recebe é: você não é prioridade.
  • Faça perguntas abertas, não julgamentos. Em vez de “Que absurdo essa cena”, tente “O que você acha que aquele personagem estava sentindo?” Curiosidade abre conversa. Julgamento fecha.
  • Não transforme em aula. Você pode ter uma opinião sobre o que está vendo — mas solte aos poucos, com leveza. Quem dá sermão perde o ouvinte.
  • Use o que assistiram como referência depois. “Lembra daquela situação na série? Algo parecido aconteceu com você alguma vez?” Esse tipo de gancho é uma das formas mais suaves de abrir conversas difíceis.

Séries e vídeos fazem parte do mundo do seu filho. Entrar nesse mundo com ele — com curiosidade genuína, sem julgamento — é uma das formas mais simples e mais poderosas de manter a conexão nos anos em que ela mais precisa ser cultivada.

Fonte: Adaptado de Why Watch TV With Your Tween or Teen, de Juliann Garey, Child Mind Institute (childmind.org). Revisão clínica: Dra. Catherine Steiner-Adair, EdD; Dr. Peter Faustino, PsyD; Dr. Matthew H. Rouse, PhD. Última revisão do original: outubro de 2023. Adaptação: adolesc.com.br, maio de 2026.

Dr. Marcelo Meirelles

CRM MG 45.283

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Formação

Médico Pediatra

⭐ Título de Especialista em Pediatria · SBP e AMB

⭐ Instrutor de Reanimação Neonatal · SBP

👨‍⚕️

Especialidade

Médico Hebiatra

⭐ Título de Especialista em Medicina do Adolescente · SBP e AMB

⭐ Pós-graduação em Psiquiatria na Infância e Adolescência




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